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Chuvas melhoram cenário, mas CMSE prepara setor para eventual redução de vazões

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) aprovou nesta quarta-feira, 11 de fevereiro, durante a 315ª reunião ordinária, a Agenda Estratégica Eletroenergética 2026, documento que organiza ações preventivas voltadas à segurança do suprimento ao longo do ano e já prevê medidas para gestão mais conservadora dos reservatórios, incluindo a possibilidade de novas reduções de vazão mínima na bacia do rio Paraná a partir de março.

A aprovação ocorre em momento de acompanhamento das condições hidrológicas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que mantém atenção especial sobre os submercados Sul e Sudeste/Centro-Oeste diante de previsões de chuvas abaixo da média nas próximas semanas.

Conforme o plano de ação iniciado em janeiro, os agentes se movimentam para cumprir as diretrizes operativas delineadas pelo comitê.

Como antecipado pela MegaWhat, a CTG Brasil apresentou ao Ibama plano técnico para reduzir, em caráter excepcional, a vazão defluente da UHE Jupiá de 3.300 m³/s para 2.300 m³/s a partir de 1º de março, logo após o término da piracema.

O documento apresentado pela CTG prevê vigência até 31 de outubro de 2026, condicionada à programação do ONS, e inclui medidas de monitoramento ambiental a jusante.

O plano técnico da companhia atende às orientações do CMSE para que os agentes estejam preparados caso os reservatórios entrem em níveis críticos a partir de março.

Chuvas melhoram, mas déficit persiste

O Ministério de Minas e Energia destacou que houve melhora nas condições meteorológicas desde janeiro, com episódios de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) favorecendo precipitações nas regiões Norte, Sudeste e Centro-Oeste. Ainda assim, o volume não foi suficiente para recuperar o déficit pluviométrico acumulado em importantes bacias geradoras.

Em janeiro, a Energia Natural Afluente (ENA) permaneceu abaixo da média histórica em todos os subsistemas, atingindo 63% da Média de Longo Termo (MLT) no SIN. Ao final do mês, os níveis de armazenamento chegaram a 47% no Sudeste/Centro-Oeste, 59% no Sul, 54% no Nordeste e 59% no Norte, cerca de 50% no sistema nacional.

Previsões apresentadas pelo Cemaden durante a reunião do comitê indicam continuidade de chuvas, porém com volumes abaixo da média nas principais bacias geradoras nas próximas semanas, reforçando a cautela operativa.

O ONS informou que seguirá monitorando a evolução do período chuvoso e das condições de armazenamento, com foco na estratégia de redução da inflexibilidade hidráulica do SIN, medida voltada à recuperação dos níveis dos reservatórios.

As projeções hidroenergéticas para fevereiro indicam ENA entre 75% e 58% da MLT no SIN, dependendo do cenário, com armazenamento variando entre 55,9% e 50%.

Estudos sobre aversão ao risco vão à consulta pública

O CMSE também aprovou estudos sobre o nível de aversão ao risco dos modelos computacionais do setor elétrico, desenvolvidos pelo Comitê Técnico PMO/PLD em cumprimento à Resolução nº 1/2025. Foram analisados diferentes pares do parâmetro CVaR, entre 15,30 e 15,50, com base na Curva Referencial de Armazenamento (CRef) 2026 e em análise multicritério.

Segundo o MME, o material seguirá para consulta pública ainda em fevereiro, acompanhada de workshop técnico previsto para o dia 25, com aplicação dos novos parâmetros prevista para a primeira semana operativa de 2027.

Expansão, comercialização e operação

Na expansão do SIN, janeiro registrou acréscimo de 924 MW de capacidade instalada de geração centralizada, além de 4,7 km de linhas de transmissão e 86 MVA de capacidade de transformação.

Entraram em operação a PCH Pedrinha (14 MW), a UTE Pagrisa (20 MW), o Complexo São Claus (99,9 MW) e o Complexo UFV Draco Solar (409 MW).

Na comercialização, a CCEE informou que a liquidação financeira do Mercado de Curto Prazo (MCP) de dezembro de 2025 totalizou R$ 3,32 bilhões, com R$ 2,98 bilhões liquidados (89,68%). Permaneceram inadimplidos R$ 342,75 milhões, enquanto R$ 518,39 milhões foram destinados à Conta de Energia de Reserva (Coner).

O comitê informou que não houve exportação hidrelétrica no período recente. Já as exportações termelétricas somaram 39 MW médios em dezembro e 151 MW médios em janeiro, destinadas majoritariamente à Argentina.

Fonte: MegaWhat