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Fictor, que tentou comprar Banco Master, inclui divisão de energia na RJ e pode arrastar JV com WTT

A Fictor, que pediu recuperação judicial (RJ) no início do mês após uma tentativa frustrada de comprar o Banco Master, inicialmente com apenas duas empresas do grupo, fez um aditivo ao processo nesta quarta-feira, 25 de fevereiro, solicitando a inclusão na RJ de outras empresas da holding e das respectivas subsidiárias, incluindo as empresas do braço de energia, o que surpreendeu outros sócios no negócio.

Com isso, a empresa Fictor Infra & Energia (Fictor Energia), que compõe a holding principal, pode passar a integrar a RJ do grupo. Por sua vez, a Fictor Energia pode arrastar para o processo a subsidiária Fictor & WTT, que é uma joint venture (JV) com a WTT, holding que, no setor de energia, também controla a Enerwatt. A inclusão das demais empresas da Fictor na RJ ainda depende de aprovação judicial.

O pedido de inclusão da JV na RJ da Fictor surpreendeu os sócios da WTT, disseram à MegaWhat fontes familiarizadas com o tema. Ainda que a Fictor Energia ingresse na RJ, a inclusão da JV com a WTT dependeria de assembleia de acionistas, com concordância entre as partes. Assim, a inclusão da JV na RJ sem a anuência da WTT configuraria descumprimento do acordo de sócios e do próprio estatuto da JV.

A Fictor detinha 51% da sociedade, mas, segundo os acordos firmados entre as partes, uma decisão dessa natureza exigiria unanimidade entre os sócios. A WTT não foi sequer consultada e só tomou ciência da inclusão da JV pelos autos da RJ, segundo as fontes.

No mesmo dia em que soube, pelos autos, que a Fictor & WTT poderia passar a compor a RJ da Fictor, a WTT protocolou pedido de exclusão no processo, alegando ilegitimidade do pleito.

Apesar da fragilidade da Fictor em outros mercados, a JV no setor de energia estaria saudável, com receitas superiores às despesas operacionais e credibilidade no mercado, segundo pessoas a par do assunto. A JV teria, inclusive, projeto de usina térmica para disputar o leilão de reserva de capacidade na forma de potência (LRCap), previsto para março. As únicas dívidas correntes da sociedade seriam aquelas relacionadas ao Capex dos ativos que, pelo acordo entre os sócios, seriam de responsabilidade da Fictor.

Sobre a Fictor & WTT

A JV Fictor & WTT foi constituída em 2023. A WTT já atuava há cerca de 20 anos como EPCista na construção de usinas de terceiros e buscava um parceiro para desenvolver projetos próprios de geração.

Encontrou a Fictor, que, para esse negócio, estabeleceu a divisão Fictor Energia. A JV Fictor & WTT foi então formalizada, com 51% de participação da Fictor Energia e 49% da WTT. No acordo, a Fictor entraria com os aportes de capital, enquanto a WTT contribuiria sobretudo com a expertise na área, embora também tenha realizado investimentos no empreendimento.

Riscos vão além da inclusão de ativos na RJ da Fictor

Caso a solicitação da Fictor prospere, com a inclusão não apenas das empresas do grupo, mas também das respectivas subsidiárias, a WTT ficará exposta a riscos que vão além da eventual alienação de receitas e ativos da JV para pagamento de credores da Fictor.

Segundo fontes, clientes podem contestar contratos firmados, o que pode gerar problemas comerciais e comprometer a continuidade dos projetos.

Por enquanto, os projetos operacionais da Fictor & WTT continuam em andamento, sem interferências. Já os projetos em desenvolvimento estão suspensos diante da situação da Fictor, que não tem condições de realizar os aportes necessários e afasta outros potenciais investidores, que evitam negociar com uma contraparte insolvente.

Fonte: MegaWhat