Decisão sobre CVaR pode manter preços elevados em 2027, aponta Itaú BBA
A escolha do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) sobre os parâmetros de aversão ao risco para 2027 pode definir o patamar de preços de energia no próximo ano. O Itaú BBA avaliou, em relatório enviado a clientes, que a manutenção do par CVaR 15-40 tende a preservar um desenho mais conservador, com maior antecipação do despacho térmico em cenários hidrológicos adversos e PLD mais alto em 2027.
O Itaú ressaltou que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) reiteraram, em nota técnica, que o parâmetro atual é o que melhor atende aos critérios de aderência à Curva Referencial de Armazenamento (CRef). Caso esse entendimento seja confirmado pelo CMSE, a sinalização estrutural de preços deve permanecer mais elevada.
No relatório, os analistas apontaram que um cenário de manutenção do CVaR 15-40 tende a beneficiar empresas com maior exposição ao mercado de curto prazo, especialmente aquelas com volume relevante de energia descontratada. Entre os nomes citados estão Axia e Copel, que, segundo o banco, possuem maior sensibilidade ao PLD.
Excesso de geração térmica e impactos nos preços
Ontem, 25 de fevereiro, no segundo workshop de 2026 do CT PMO/PLD, ONS e CCEE detalharam os critérios da análise técnica em consulta pública. Um dos pontos centrais foi a ampliação da métrica de avaliação: além da verificação tradicional de aderência à CRef, o estudo passou a considerar o excesso de geração térmica necessário para manter os reservatórios acima da curva de referência.
A análise passou a medir não só o risco de armazenamento insuficiente, mas também o custo do sobredespacho térmico preventivo.
Os dados apresentados mostraram que o par 15-40 gera cerca de 6,3% de excesso de geração térmica em relação à referência. Em um nível mais avesso ao risco, como o 15-50, esse excesso pode chegar a 22%. O 15-35 foi o primeiro parâmetro a atingir 100% de aderência à CRef sem excesso térmico considerado elevado nos cenários simulados. O 15-30, por sua vez, não atendeu plenamente aos critérios de armazenamento.
A comparação entre 15-35 e 15-40 concentrou boa parte dos questionamentos dos agentes, que cobriram o impacto tarifário do excesso térmico e o grau de segurança adicional do parâmetro mais conservador.
Técnicos do ONS e da CCEE explicaram que reduzir a aversão ao risco diminui o despacho antecipado, mas pode comprimir o colchão hidráulico em cenários adversos, enquanto níveis mais altos de aversão elevam custos no curto prazo em troca de maior segurança energética.
No encontro, representantes do comitê afirmaram que não havia pressão institucional por mudança e que o grupo técnico não apresentou recomendação formal por nenhum dos pares. A deliberação final caberá ao CMSE, que levará em conta os resultados quantitativos, as contribuições da consulta e o contexto energético no momento da decisão.
Cenários e parâmetros avaliados
A análise técnica avaliou cinco pares: 15-30, 15-35, 15-40, 15-45 e 15-50, em simulações com quatro cenários hidrológicos, combinando afluências equivalentes a 60% e 80% da média de longo termo com dois níveis distintos de armazenamento inicial.
O 15-35 atingiu 100% de aderência à CRef, mas pode levar a reduções de armazenamento em determinadas condições. O 15-40 preservou os níveis de reservatório sem aumentos excessivos de geração térmica, com aderência próxima de 106%. Os parâmetros mais avessos, 15-45 e 15-50, elevaram a geração térmica líquida e ampliaram impactos financeiros e tarifários.
Cronograma
A consulta externa 001/2026, que trata dos parâmetros de aversão ao risco, recebe contribuições até 10 de abril. A consolidação técnica está prevista para o fim de abril, e a decisão final do CMSE deve ocorrer até o fim de julho, com aplicação a partir da primeira semana operativa de janeiro de 2027.
Em paralelo, a consulta 002/2026 discute a elevação do número mínimo de iterações do modelo Newave de 30 para 50, medida apresentada como aprimoramento técnico para reduzir a sensibilidade numérica e aumentar a estabilidade da política operativa.
Fonte: MegaWatt
