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Voltalia anuncia demissões e corta 30% dos projetos após prejuízo em 2025

A Voltalia anunciou uma reestruturação global que inclui demissões de cerca de 10% da força de trabalho, venda de ativos considerados não essenciais e uma redução de 30% no portfólio de projetos em desenvolvimento, em meio aos impactos do curtailment no Brasil e ao prejuízo registrado em 2025.

O plano faz parte do programa de transformação Spring, com o qual a companhia busca simplificar a estrutura, reforçar a rentabilidade e ajustar sua expansão diante das mudanças no mercado de energia renovável.

O corte no quadro de funcionários englobará diferentes regiões onde a companhia atua, como França, Portugal e Brasil. Em seu balanço sobre o resultado do último ano, a empresa informou que o número total de funcionários do grupo caiu 7,6% em 2025, considerando todos os países onde atua. A empresa também reduziu o número de países em que atua de 20 para 15, saindo da Hungria, Eslováquia, México, Romênia e Espanha.

Segundo a companhia, o corte de pessoal no Brasil será realizado em conformidade com os marcos regulatórios locais e estará sujeito aos procedimentos de informação e consulta com representantes dos funcionários, conforme os requisitos legais vigentes.

A informação foi divulgada nesta quinta-feira, 12 de março, pela empresa, junto com a apresentação dos resultados financeiros de 2025, quando registrou prejuízo líquido de 128,1 milhões de euros, acima da perda de 20,9 milhões de euros em 2024.

Curtailment na Voltalia


No último ano, a Voltalia atingiu sua meta de 3,6 GW de capacidade em operação e em construção, alta de 9% em relação ao ano anterior. Desse volume, 2,9 GW estão em operação e 305 MW em construção.

A produção de energia do grupo somou 4,9 TWh, um aumento de 4%, apesar da redução de 1.040 GWh no Brasil, o que corresponde a 23% da produção brasileira da companhia — ou 17% da produção total da Voltalia no período.

Segundo a companhia, a sua geração no Brasil aumentou 2% no último ano, resultado de um melhor nível de recursos no segundo semestre, bem como de novas usinas como SSM3-6 e Canudos. Também houve uma redução gradual do nível de cortes na geração no quarto trimestre de 2024.

Com o impacto no Brasil, a empresa informou que espera receber um reembolso de 20 milhões de euros pelos cortes de geração em seus parques, com base na Lei nº 15.269, derivada da Medida Provisória 1.304/2025.

A expectativa da Voltalia é que essa compensação comece a se concretizar a partir de 2026, enquanto continuam as discussões com autoridades sobre mecanismos aplicáveis a futuros cortes de geração, especialmente aqueles relacionados ao desequilíbrio entre oferta e demanda no sistema elétrico, com o objetivo de aumentar a previsibilidade e a estabilidade regulatória do mercado de energia.

Resultado e reestruturação


O resultado do último ano foi impactado por efeitos excepcionais relacionados ao plano de transformação Spring, que somaram 103 milhões de euros. Entre os fatores estão a baixa contábil de projetos não rentáveis do pipeline, além de custos de transformação e reestruturação associados à iniciativa.

A companhia também foi afetada pelo curtailment, com impacto negativo de 36 milhões de euros. Excluindo os itens excepcionais, o resultado líquido teria sido um prejuízo de 25 milhões de euros.

Já o Ebitda (sigla para lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da empresa no período foi de 211,3 milhões de euros, queda de 3%, reflexo principalmente da redução na comercialização de energia no Brasil, afetada pelo curtailment e pelo encerramento de contratos de curto prazo.

O plano Spring, lançado pela empresa em 2025, prevê uma reorientação estratégica para as atividades principais, com foco em ganhos de eficiência operacional e otimização de custos. A estratégia inclui o autofinanciamento anual de 300 MW a 400 MW em novos projetos entre 2026 e 2030.

O plano também prevê o desinvestimento ou a descontinuação de atividades de desenvolvimento em cinco países: Hungria, Eslováquia, México, Romênia e Espanha.

A empresa ainda pretende alienar ativos considerados não essenciais até 2028, com estimativa de arrecadar entre 300 milhões e 350 milhões de euros, o que deverá contribuir para o retorno ao lucro líquido e a redução gradual da alavancagem financeira.

Segundo a companhia, após a desistência de projetos considerados “menos atrativos ou insuficientes para gerar valor agregado ao portfólio”, o pipeline de projetos em desenvolvimento foi reduzido para 12 GW, uma queda de 30% frente aos 17,2 GW planejados. O portfólio é composto por 31% na Europa, 34% na África e 34% na América Latina. Por outro lado, em termos de tecnologia, está dividido em 56% para energia solar, 22% para eólica e 22% para armazenamento em baterias.

“Embora tenhamos atingido nossas metas de Ebitda e capacidade, as decisões tomadas — em particular a baixa contábil de projetos não rentáveis em desenvolvimento, o novo foco e os custos de reestruturação associados — tiveram um impacto significativo no resultado líquido de 2025. A partir de 2026, iniciaremos uma nova etapa de aceleração, com a prioridade de fortalecer nossa rentabilidade e nossa estrutura financeira. Nossa ambição é clara: construir um modelo mais seletivo, alinhado às mudanças em nosso setor, mais robusto e que gere valor no longo prazo”, afirmou Robert Klein, CEO da Voltalia.

Atualmente, a Voltalia tem suas receitas garantidas por contratos de venda de energia de longo prazo, com receita remanescente em torno de 7,7 bilhões de euros e um prazo médio de vencimento de 18,1 anos. O valor é abaixo dos 8,1 bilhões de euros em 2024.

Fonte: MegaWhat