LRCap contrata 19 GW em potência e vai custar R$ 38,9 bi por ano
O Leilão de Reserva de Capacidade realizado nesta quarta-feira, 18 de março, contratou 18.977 MW de potência, envolvendo investimentos da ordem de R$ 64,5 bilhões, ao preço médio de R$ 2.334.731 por MW ao ano, com deságio médio de 5,52%.
O certame, promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e operacionalizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), teve início às 10h e foi concluído às 16h04, com negociações em sete dos oito produtos ofertados. Ao todo, foram contratados cerca de 16,7 GW em termelétricas e 2,3 GW em ampliação de hidrelétricas, considerando a potência disponibilizada.
As usinas vencedoras terão direito a um total de R$ 38,9 bilhões em receita fixa por ano. A receita total a ser paga às usinas ao longo da concessão soma R$ 515,7 bilhões. Com o deságio, a economia será de R$ 33,6 bilhões no período.
O resultado por produto
No produto com entrega em agosto de 2026, voltado para termelétricas existentes a gás natural e carvão, foram contratados 1.955 MW de potência disponível. O deságio médio foi de 2,24%.
Entre os empreendimentos vencedores estão unidades da Eneva, Petrobras, e Âmbar, da J&F, como Luiz Oscar Rodrigues de Melo, Povoação 1, Viana 1, Santa Cruz, Juiz de Fora, Nova Piratininga, Seropédica e Termobahia. Os preços ficaram próximos ao teto, variando ao redor de R$ 2,18 milhões a R$ 2,205 milhões por MW ao ano.
Para o produto com entrega em 2027, foram contratados 1.704 MW, e deságio médio de 0,01%, com participação de usinas como Termomacaé e Três Lagoas, da Petrobras, Porto do Pecém I e a UTE Celpav IV, da Suzano. Os preços ficaram praticamente no teto, em torno de R$ 2,249 milhões por MW ao ano.
No produto com entrega em 2028, que permitiu a entrada de novos empreendimentos, foram contratados 7.394 MW, em termelétricas, com investimentos de cerca de R$ 26,7 bilhões. O deságio médio foi de 6,17%.
O resultado inclui uma grande quantidade de projetos a gás natural e biometano, com destaque para Monte Fuji, Nova Era, ampliações do complexo da Eneva Porto de Sergipe, a usina de Uruguaiana, da Âmbar, e usinas da KPS.
Os preços ficaram abaixo do teto de R$ 2,9 milhões, com valores na faixa de R$ 2,3 milhões a R$ 2,7 milhões por MW ao ano.
Já no produto com entrega em 2029, foram contratados 2.803 MW, deságio de 2,67%, com investimentos da ordem de R$ 14,1 bilhões.
Entre os projetos vencedores estão Jandaia II e III, da Eneva, além de usinas como Barcarena II, Pilar I e II e Tupã. Os preços ficaram próximos ao teto, com valores em torno de R$ 2,86 milhões a R$ 2,87 milhões por MW ao ano.
No caso da ampliação de hidrelétricas, com entrega em 2030, foram contratados 2.311 MW de potência disponível, com investimentos de cerca de R$ 9,9 bilhões. Os projetos incluem ampliações em Jaguara, da Engie, Segredo e Foz do Areia, da Copel, e São Simão, da SPIC.
Os preços ficaram muito próximos do teto, variando entre R$ 1,381 milhão e R$ 1,395 milhão por MW ao ano, deságio médio de 0,55%.
Não houve contratação no produto de ampliação de termelétricas com entrega em 2030.
No último produto, com entrega em 2031, foram contratados cerca de 2.807 MW somando térmicas e hidrelétricas. Entre os projetos estão Jandaia I, Presidente Kennedy, Porto Norte Fluminense II B, além das térmicas a carvão de Itaqui e Pecém II e a UTE Lins. O deságio médio das termelétricas foi de 13,57%.
Também foi contratada a ampliação da UHE Luiz Gonzaga, da Axia, sem deságio. Os preços variaram entre cerca de R$ 2,409 milhões por MW ao ano para novos projetos a gás e cerca de R$ 2,249 milhões para térmicas existentes.
Dinâmica do leilão
Às 10h, teve início a disputa do lote com entrega em agosto de 2026, com preço final em tela de R$ 2,2 milhões por MW ao ano.
Às 11h, começou a rodada de 2027, encerrada por volta de 11h20 com preço corrente de R$ 2,249 milhão por MW ao ano.
A rodada de 2028 foi concluída por volta de 12h40, com último preço negociado de R$ 2,72 milhões por MW ao ano.
A rodada de 2029 terminou por volta de 13h45, com preço final de R$ 2,89 milhões por MW ao ano.
A rodada de hidrelétricas para 2030 foi encerrada por volta de 14h40, com preço final de R$ 1,395 milhão por MW ao ano.
A última rodada, para hidrelétrica existente com ampliação da capacidade instalada para 2031, foi encerrada por volta de 16h04, e teve preço corrente final de R$ 1,4 milhão por MW ao ano. Já o produto termelétrico novo terminou com preço corrente de R$ 2,554 milhões/MW por ano.
O Leilão de Reserva de Capacidade teve como objetivo contratar potência firme para garantir a segurança do atendimento ao sistema elétrico. Diferentemente dos leilões de energia, a remuneração é feita pela disponibilidade da potência ao longo do ano, medida em reais por megawatt ao ano.
