• contato@smartenergia.com.br

De saída do trading, Trinity diz que operação balanceada foi surpresa

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) incluiu a Trinity Energias Renováveis em regime de operação balanceada, em reunião realizada na última sexta-feira, 24 de abril. A empresa afirma ter sido surpreendida pela medida e diz que já vinha descontinuando sua atuação em trading de energia, em meio à piora das condições do mercado livre.

“Fomos pegos de surpresa, não estava no nosso radar entrar em operação balanceada”, disse o CEO e fundador da Trinity, João Sanches, em entrevista à MegaWhat. Segundo ele, a companhia não registrou inadimplência nem problemas com contrapartes e atualmente mantém volume residual de operações no segmento.

De acordo com Sanches, a decisão de reduzir a atuação em comercialização começou ainda em 2024, diante da sequência de defaults e da perda de liquidez no mercado. “O risco-retorno ficou desinteressante. A gente corria risco de contraparte sem ter visibilidade e com retorno baixo”, afirmou.

Hoje, as operações de trading representam cerca de 5% do volume que a empresa mantinha em 2024 e devem ser praticamente encerradas até o fim de 2026. “A gente já vinha reduzindo bastante, com operações basicamente de ajuste de portfólio”, disse.

A companhia agendou reunião com a CCEE para esta quarta-feira, para entender os fundamentos da decisão.

Com a mudança de estratégia, a Trinity passou a concentrar seus investimentos em geração distribuída. Atualmente, a empresa possui cerca de 83 MW de capacidade instalada, sendo aproximadamente 70 MW em operação em projetos solares.

“A gente focou mais em geração. Isso passou a fazer mais sentido dentro da estratégia”, afirmou Sanches.

Operação balanceada

A deliberação de operação balanceada determina o impedimento de novos registros de contratos no Sistema de Contabilização e Liquidação (SCL). A partir de agora, novos registros, ajustes e validações de operações só poderão ocorrer de forma balanceada, mediante verificação prévia do equilíbrio entre compra e venda de energia e mediante solicitação do agente.

A medida está fundamentada no estatuto social da CCEE e nos procedimentos de monitoramento do mercado, que permitem à entidade adotar ações preventivas para mitigar riscos sistêmicos.

O regime de operação balanceada é utilizado como mecanismo técnico-regulatório para evitar o aumento da exposição financeira de agentes com potencial risco de inadimplência. Na prática, restringe a liberdade de contratação, ao condicionar novos registros à comprovação de lastro energético.

Sequência de casos no mercado

A decisão sobre a empresa ocorre em um contexto de maior sensibilidade no mercado livre, após casos recentes envolvendo outras comercializadoras.

A Electra, por exemplo, chegou a questionar judicialmente sua inclusão no regime, mas a Justiça manteve a medida ao entender que ela é proporcional para evitar o aumento da exposição sem garantias, protegendo os demais agentes.

Já a Tradener foi incluída em operação balanceada em 17 de abril, após uma sequência de decisões judiciais envolvendo a execução de seus contratos. Na ocasião, a CCEE apontou a necessidade de acompanhamento mais próximo das movimentações da empresa.

Segundo a entidade, a adoção desse tipo de medida integra esforços para preservar a estabilidade econômica e a segurança das transações no mercado de energia elétrica, em um momento de aumento de inadimplência, disputas contratuais e pressão sobre a liquidez.

O avanço desses casos reforça o debate sobre a confiança no mercado livre, em um cenário marcado por maior volatilidade de preços, exigências de garantias e riscos de contraparte — fatores que têm levado reguladores e agentes a intensificar o monitoramento sobre possíveis efeitos sistêmicos.

Fonte: MegaWhat