CMSE adia decisão sobre CVaR e pede estudos sobre impactos do LRCap
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) adiou a decisão sobre o parâmetro de aversão ao risco que vai vigorar nos modelos computacionais de operação e formação de preços a partir de 2027.
A definição estava prevista para a reunião desta quarta-feira, 13 de maio, mas o colegiado decidiu solicitar a elaboração de estudos sobre os impactos do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) realizado em março antes de definir o novo par de CVaR.
A MegaWhat antecipou o adiamento da decisão no MinutoMega desta quarta-feira. Não há data prevista para deliberação, mas uma decisão precisa ser tomada até o fim de julho para ter efeitos em janeiro de 2027.
Os estudos solicitados devem avaliar os efeitos das contratações do LRCap sobre as condições operativas e o balanço de oferta do sistema, elementos que se relacionam diretamente com a calibração do CVaR.
Os leilões realizados em 18 e 20 de março contrataram cerca de 19,5 gigawatts de potência em contratos com duração de até 15 anos. A decisão sobre o parâmetro só será tomada após a conclusão desses estudos.
A ausência das usinas contratadas no LRCap na modelagem oficial foi um dos pontos questionados durante a consulta externa que discutiu a calibração do CVaR a partir de 2027, encerrada em abril. Parte dos agentes argumentou que a entrada dessas usinas no horizonte de oferta do sistema reduziria a necessidade de manter o atual grau de aversão ao risco.
O par 15/40 está em vigor desde janeiro de 2025, quando foi implementado em conjunto com o modelo Newave Híbrido. Para 2027, o tema foi submetido à consulta externa entre fevereiro e abril, com 46 contribuições recebidas pelo Comitê Técnico de PMO e PLD.
Entre as alternativas avaliadas, o par 15/35 foi o primeiro a atingir 100% de aderência à Curva Referencial de Armazenamento (CRef) nos estudos apresentados.
Divergência entre os agentes
A definição do parâmetro concentra divergências no setor. Comercializadores, parte dos consumidores industriais e geradores renováveis defendem a redução da aversão ao risco, sob o argumento de que o conservadorismo atual gera custos relevantes no presente sem ganho proporcional de segurança. Esse grupo aponta ainda que o quadro de oferta para 2027, com a entrada de novas usinas contratadas, não justificaria manter o mesmo grau de aversão de ciclos anteriores.
Já parte das geradoras, em especial as térmicas e hidráulicas, defende a manutenção do 15/40, sob o argumento de que o parâmetro reflete melhor as condições operativas do sistema e evita que despachos corretivos futuros sejam repassados via encargos.
Fonte: MegaWhat.
