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ONS aciona plano para El Niño e preserva reservatórios estratégicos

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já desenhou a estratégia para enfrentar eventuais impactos do El Niño sobre o abastecimento de energia. A prioridade é preservar reservatórios considerados estratégicos para o atendimento da ponta de carga.

A principal preocupação está no Norte do país. Caso o fenômeno atrase a chegada das chuvas às bacias que abastecem hidrelétricas como Santo Antônio, Jirau e Belo Monte, o sistema poderá perder parte da flexibilidade na transição para o período úmido.

“Desde o fim de 2020 e da crise de 2021, a gente trabalha com um playbook para deixar posicionados e resguardados os reservatórios estratégicos para atendimento de potência”, disse Alexandre Zucarato, diretor de Planejamento do ONS, durante o Enase 2026, que acontece nesta quarta-feira, 17 de junho, no Rio de Janeiro.

Segundo ele, a orientação é preservar os estoques até o início da estação chuvosa. “O objetivo é segurar esses ativos até meados de setembro para que, se o período chuvoso atrasar, a gente tenha uma reserva de potência nas usinas estratégicas”, afirmou.

“Se necessário, o CMSE tem prerrogativa de colocar geração fora do mérito para preservar os recursos críticos de atendimento à potência”, acrescentou.

Baterias e cortes

Ao mesmo tempo, o ONS prepara contribuições para o leilão de baterias previsto para o fim do ano. A proposta é evitar que os empreendimentos sejam instalados em áreas com restrições operativas.

“Estamos usando um sistema de camadas para avaliar a capacidade de escoamento. A bateria precisa conseguir carregar no momento das sobras energéticas e descarregar quando o sistema precisar dela”, afirmou Zucarato.

Segundo o executivo, a expansão das fontes renováveis e da geração distribuída vem aprofundando a chamada “barriga do pato”, fenômeno marcado pela combinação de baixa demanda e elevada geração solar nas horas centrais do dia. Nesse contexto, o ONS avalia que os cortes de geração tendem a ocorrer com maior frequência.

“O plano emergencial de gestão dos excedentes foi concebido porque a gente identificou que o vale da carga, conhecido como barriga do pato, está agravando e ficando menor a cada ano do nosso horizonte”, disse.

Plano de contingência

Ele ressaltou que a medida não foi criada para responder a um evento isolado. O plano de contingência está disponível para ser utilizado quantas vezes forem necessárias para assegurar a segurança da operação. Ainda assim, Zucarato ponderou que os acionamentos continuarão sendo pontuais.

“O uso ainda é pontual, mas será utilizado toda vez que o ONS identificar risco para o sistema no dia seguinte por excesso de geração”, afirmou.

Além do corte comandado, o operador estruturou uma segunda linha de defesa baseada no desligamento automático de geração diante da elevação da frequência do sistema.

“Estamos fazendo algo semelhante ao corte automático de carga, mas do lado da geração”, afirmou. Entretanto, Zucarato diz que a solução definitiva não virá no curto prazo.

“Estamos falando de uma questão que está na estrutura do mercado, na parte do hardware, e não do software”, disse. “O caminho passa por aumentar a carga, deslocar o consumo para os períodos de excesso de geração e incorporar soluções de armazenamento”, finalizou.

Fonte: Canal Energia.