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Por que a conta de luz está pesando tanto no bolso dos brasileiros?

Tarifa de energia elétrica residencial acumulou alta de 12,31% em 2025, quase o triplo da inflação oficial de 4,26%, e foi o item que mais pesou no IPCA, segundo o IBGE

A conta de luz ficou bem mais cara para os brasileiros em 2025. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a energia elétrica residencial acumulou alta de 12,31% no ano, quase o triplo da inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou em 4,26%. Entre os 377 subitens que compõem o índice, a energia elétrica foi o que exerceu maior impacto individual sobre a inflação, respondendo por 0,48 ponto percentual do resultado anual.

Para especialistas do setor elétrico, o avanço das tarifas confirma uma tendência observada nos últimos anos: a conta de luz passou a ocupar uma parcela cada vez maior do orçamento das famílias, especialmente da classe média, que não conta com benefícios tarifários e enfrenta um crescimento mais lento da renda.

Segundo Luís Fernando Roquette, diretor da Coesa Energia, a mudança já é percebida no comportamento dos consumidores. “Há alguns anos, a conta de luz era tratada como uma despesa fixa do mês. Hoje ela passou a ser um gasto acompanhado com muito mais atenção pelas famílias, porque qualquer reajuste é sentido imediatamente no orçamento”, afirma.

De acordo com o especialista, o aumento das tarifas é resultado da combinação entre reajustes no setor, maior uso de aparelhos elétricos nas residências e mudanças no padrão de consumo. “As casas passaram a consumir mais energia. O uso de ar-condicionado aumentou, os equipamentos eletrônicos permanecem ligados por mais tempo e há uma demanda crescente por novos aparelhos. Mesmo quando a família mantém praticamente a mesma rotina, o consumo de energia hoje é maior do que há alguns anos”, explica.

A tendência, segundo Roquette, é que a eletrificação da economia brasileira torne a energia elétrica ainda mais relevante para o orçamento doméstico. A expansão dos veículos elétricos, da climatização residencial e da digitalização das atividades deve ampliar a dependência da eletricidade nos próximos anos.

Para ele, esse cenário reforça a necessidade de discutir planejamento energético e eficiência. “A energia deixou de ser apenas uma despesa operacional das residências. Ela passou a influenciar diretamente o custo de vida das famílias e a competitividade das empresas. À medida que o Brasil amplia a eletrificação da economia, discutir previsibilidade tarifária, eficiência energética e planejamento do setor deixa de ser uma pauta técnica e passa a ser uma discussão econômica que afeta toda a sociedade”, conclui.

Fonte: Correio.