Thopen alega crise de liquidez e consegue proteção contra credores na Justiça
A Justiça do Rio de Janeiro suspendeu por 60 dias ações e execuções individuais contra 54 empresas do Grupo Pontal-Thopen, antecipando parte dos efeitos de uma recuperação judicial que ainda deverá ser formalmente requerida.
A decisão, antecipada pelo Brazil Journal e posteriormente confirmada pela MegaWhat, também impede que credores sujeitos ao futuro processo antecipem o vencimento de dívidas, acelerem amortizações ou rescindam contratos em razão do ajuizamento da medida cautelar.
O juiz Victor Agustin Cunha Jaccoud Diz Torres, da 6ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro, deu ao grupo prazo de 30 dias para apresentar o pedido principal de recuperação judicial, acompanhado da documentação prevista em lei. Caso a ação não seja ajuizada no período, a proteção cautelar perde a eficácia. A decisão foi assinada na quinta-feira, 23 de julho.
Grupo alegou escassez de liquidez
No processo, a Thopen afirmou atravessar um “quadro agudo de escassez de liquidez”, atribuído a fatores de mercado e a decisões tomadas por administrações anteriores que teriam comprometido a liquidez da operação e a estrutura de capital.
Segundo o pedido, parte dos projetos de geração ainda não entrou em operação ou começou a operar recentemente e não produz receita suficiente para atender às projeções. O grupo também apontou aumento imprevisto do custo financeiro, porque uma parcela relevante do passivo foi indexada ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI) em um período de juros baixos e posteriormente onerada pela alta da taxa Selic.
Outro fator apresentado foram atrasos de distribuidoras na conexão de usinas que já estariam prontas para gerar energia. De acordo com o grupo, os atrasos afetaram o cronograma de operação e reduziram as receitas, provocando um déficit de capital de giro que dificulta o pagamento pontual das obrigações financeiras.
A empresa disse que a situação seria reversível mediante uma renegociação organizada das dívidas com os principais credores. O grupo informou que já havia iniciado um procedimento de mediação para essa finalidade.
Proteção vale por 60 dias
A medida suspende ações e execuções relacionadas aos créditos que deverão ser submetidos à recuperação judicial, além de penhoras, leilões e bloqueios sobre os ativos das empresas.
O juiz também mandou liberar valores e bens que já haviam sido bloqueados, mas ainda não tinham sido entregues aos credores. Por outro lado, negou a devolução do que já havia sido recebido, compensado ou apropriado antes da decisão.
A proteção também alcança cláusulas contratuais que autorizem o vencimento antecipado das dívidas ou a rescisão de contratos apenas em razão do ajuizamento da cautelar ou de um pedido de recuperação judicial. A decisão ressalva, porém, créditos e contratos que não estejam sujeitos ao regime recuperacional.
Justiça nomeou dois administradores
O magistrado nomeou conjuntamente o escritório Pinho Machado Advogados Associados e a VPJ Administração Judicial para acompanhar o caso. Segundo a decisão, a atuação de dois administradores foi considerada necessária diante da complexidade do grupo, formado por 54 empresas instaladas em três estados e ligadas por um sistema de garantias cruzadas.
Os administradores deverão apresentar propostas de remuneração, que serão submetidas à avaliação do juízo. O valor total deverá respeitar o limite legal de 5% dos créditos sujeitos à recuperação e será dividido entre os nomeados.
Expansão e aquisições
A Thopen foi lançada pela Pontal Energy em março de 2025, após a aquisição da RZK Energia por R$ 1 bilhão. A Pontal Energy é controlada pela Denham Capital, empresa de private equity com investimentos nos setores de energia e mineração.
Na ocasião, a companhia anunciou investimentos superiores a R$ 2,3 bilhões até 2027 para ampliar sua presença no mercado livre e na geração distribuída. O plano previa acrescentar mais de 500 MWp ao portfólio de geração distribuída e alcançar mais de 1 milhão de unidades consumidoras sob gestão.
Segundo dados do site da empresa, a Thopen soma 700 MWp de capacidade instalada, 204 ativos de geração e cerca de 300 mil unidades consumidoras sob gestão, com presença nas 27 unidades da federação.
A companhia oferece energia por assinatura por meio da micro e minigeração distribuída, geração distribuída remota e serviços de gestão de geração distribuída. Também atua nos segmentos varejista e atacadista do mercado livre de energia.
A expansão foi acompanhada por uma série de aquisições no último ano. Em junho de 2025, a Thopen comprou da Vip Air um portfólio de 52 usinas solares de geração distribuída, com capacidade total de 200 MWp, por cerca de R$ 750 milhões. Os projetos estão localizados na Bahia, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
Em outubro daquele ano, a companhia adquiriu outras 45 usinas solares fotovoltaicas operacionais da Matrix Energia por R$ 556 milhões. Os ativos acrescentaram 120 MWp à capacidade instalada da Thopen e estavam distribuídos em sete estados. A operação foi a quinta aquisição de ativos realizada pela empresa em 2025.
Mais recentemente, em junho de 2026, a Thopen recebeu aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para adquirir a Biogás Energia Ambiental, que explora o gás produzido no aterro sanitário Bandeirantes, em Perus, na cidade de São Paulo. O contrato de compra e venda havia sido assinado em março.
Fonte: MegaWhat.
