Sul e Sudeste têm setembro mais chuvoso dos últimos 17 anos
As regiões Sul e Sudeste registraram o setembro mais chuvoso dos últimos 17 anos, em meio à intensificação do El Niño. A passagem frequente de frentes frias elevou as precipitações nas bacias hidrográficas dessas regiões, melhorando as condições hidrológicas do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o El Niño se intensificou rapidamente ao longo de setembro, com elevação da temperatura da superfície do mar no Pacífico. O comportamento é consistente com as previsões anteriores de um fenômeno muito forte entre a primavera e o verão. A expectativa é que ele permaneça atuando no próximo trimestre, favorecendo chuvas acima da média no Sul e abaixo da média no Norte.
As condições mais favoráveis também vieram acompanhadas de recordes de geração renovável, conforme destacado no primeiro dia da reunião do Programa Mensal da Operação (PMO) de outubro.
No dia 2 de setembro, às 11h, a geração renovável chegou a 45.624 MW, equivalente a 50,32% da demanda do SIN, novo recorde horário. O ONS também registrou recorde diário de renováveis em 21 de setembro, com 15.391 MW médios, correspondentes a 18,22% da demanda do sistema.
No Norte, em 21 de setembro, foram registrados recordes horário, de 3.601 MW, ou 34,46% da demanda, e diário, de 1.088 MW médios, equivalente a 10,81% de fonte renovável. Já no Sudeste, o recorde diário foi registrado em 11 de setembro, com 8.131 MW médios, equivalentes a 16,94% da demanda do subsistema.
Chuvas e afluências em setembro
Segundo o operador, as chuvas tiveram impacto relevante sobre as afluências. A expectativa é que o Sul encerre setembro com Energia Natural Afluente (ENA) equivalente a 254% da Média de Longo Termo (MLT), enquanto o Sudeste deve alcançar 143% da MLT. Para o SIN, a projeção é de 168% da média histórica.
O cenário contrasta com Norte e Nordeste, onde as afluências permanecem abaixo da média. A previsão é de fechamento de setembro em 53% da MLT no Norte e 70% no Nordeste.
As condições também se refletiram nos reservatórios. Em relação ao fim de agosto, o armazenamento do Sul deve chegar a 92% da capacidade ao fim de setembro. No Sudeste/Centro-Oeste, apesar das chuvas, a previsão é de pequena redução, para 57%.
Segundo o ONS, a passagem frequente de frentes frias pelo Sul, Sudeste e Centro-Oeste provocou precipitações acima da média nas bacias dessas regiões e no trecho boliviano do rio Madeira. As incursões de massas de ar frio também fizeram as temperaturas ficarem abaixo da média climatológica em parte de setembro.
A condição favorável no Sul fez com que o subsistema passasse a exportar energia para outras regiões. No Sudeste, o aumento da geração hidráulica em setembro foi sustentado principalmente pelas condições das bacias do baixo Paraná, do Paranapanema e de Itaipu, ajudando a compensar a menor geração hidráulica no Norte e no Nordeste.
A geração eólica também avançou no Nordeste, acompanhando a sazonalidade favorável da fonte. Em setembro, a produção chegou a cerca de 14,3 GW médios, com fator de capacidade de 46%. Já a geração solar combinada de Nordeste e Sudeste ficou próxima de 11 GW médios no mês.
Para outubro, o ONS espera que as chuvas continuem acima da média nas bacias do Sul e próximas da média no Sudeste e Centro-Oeste. A primeira quinzena tende a ser mais chuvosa que a segunda nessas regiões.
Fonte; MegaWhat.
