Produtos e oportunidades no mercado livre exigem sofisticação e gestão de riscos, afirma executivo da Minerva Foods
O mercado de energia brasileiro está passando por mudanças significativas, impulsionadas por novas regras e pela crescente sofisticação do setor. Para o gerente-executivo de energia da Minerva Foods, Felipe Gatti, essas transformações trazem tanto desafios quanto oportunidades, exigindo que consumidores e geradores adaptem suas estratégias para aproveitar os benefícios do mercado livre de energia.
Com a evolução do mercado, o sinal econômico se torna um elemento central para a tomada de decisões. Segundo Gatti, é fundamental que os consumidores entendam os riscos e saibam calcular onde podem assumir mais ou menos exposição.
“O consumidor vai ter que se adaptar, entender e amadurecer seu racional para se proteger adequadamente dos riscos que essa sofisticação traz. O sinal econômico é fundamental para calcular onde é possível correr mais ou menos risco”, afirmou ele durante evento realizado pela MegaWhat nesta quinta-feira, 2 de abril, em São Paulo. As mudanças nas regras do mercado livre, como a ampliação do acesso para novos consumidores e a flexibilização de contratos, abrem espaço para produtos mais sofisticados e estratégias personalizadas.
Gatti destacou a importância de uma gestão estruturada de energia dentro das empresas e a necessidade de ponderar riscos em um mercado cada vez mais dinâmico. Para o executivo, o mercado de energia no Brasil segue uma tendência global de maior sofisticação, como já observado em países da Europa. Ele ressaltou que essa evolução traz novos desafios, mas também oportunidades para consumidores e geradores.
Autoprodução como solução estratégica
Uma das soluções apontadas por Gatti para grandes consumidores é a autoprodução de energia, que tem ganhado espaço nos últimos anos. Ele explicou que essa estratégia permite maior controle sobre os custos e reduz a exposição a flutuações de preços no mercado livre.
“A autoprodução é um produto mais robusto, que protege contra alguns riscos, embora traga outros. É uma solução que tem sido amplamente adotada por indústrias e que oferece um equilíbrio interessante entre risco e oportunidade”, disse.
Além disso, Gatti destacou que a autoprodução também beneficia os geradores, ao abrir novos canais de comercialização de energia, criando um cenário de “ganha-ganha” para ambas as partes.
PPAs de longo prazo ainda são atrativos?
Questionado sobre a viabilidade de contratos de compra de energia de longo prazo (PPAs) no mercado livre, Gatti afirmou que eles continuam sendo uma opção interessante, desde que estruturados de forma responsável.
“No mercado livre, é possível construir um portfólio com contratos de longo prazo, empilhando preços médios para garantir uma gestão financeira mais saudável. É uma estratégia que ainda faz sentido, especialmente para consumidores que não optam pela autoprodução”, explicou.
No entanto, ele alertou que os consumidores precisam estar atentos aos riscos associados a esses contratos, especialmente em cenários de alta volatilidade de preços.
Geradores e a gestão de riscos
Gatti também abordou a posição dos geradores no mercado, destacando que eles assumem riscos significativos ao comercializar energia em um ambiente de preços elevados e incertezas regulatórias.
“O gerador está assumindo muito risco ao comercializar energia aos poucos, especialmente em um cenário de tendência de preços altos. É importante que as contrapartes sejam responsáveis e ponderem os riscos envolvidos”, afirmou.
Ele ressaltou que, em um mercado tão dinâmico, é natural que existam divergências entre consumidores e geradores, mas que o foco deve ser em encontrar soluções equilibradas que beneficiem ambos os lados.
Gestão de riscos como diferencial competitivo
Para Gatti, a capacidade de administrar riscos é o que diferencia empresas bem-sucedidas no mercado de energia. Ele destacou que a Minerva Foods tem reduzido sua exposição a riscos no mercado de trading, priorizando uma abordagem mais conservadora e estratégica.
“Quando falamos de risco, é preciso administrar e ponderar. Reduzimos nossas exposições porque entendemos que o modelo atual apresenta mais riscos. É uma questão de gestão responsável”, concluiu.
Oportunidades e desafios no horizonte
Apesar dos desafios, Gatti vê o mercado de energia como uma oportunidade para empresas que investem em inteligência e gestão. Ele acredita que, com a evolução do setor, consumidores e geradores terão que trabalhar juntos para construir um mercado mais eficiente e equilibrado.
“O mercado de energia é uma oportunidade, desde que as contrapartes sejam responsáveis e saibam ponderar os riscos. Com uma gestão estruturada, é possível transformar desafios em vantagens competitivas”, finalizou.
Fonte: CanalEnergia
