Chuvas no Sudeste são principal incógnita para preço de energia, diz AUREN
O diretor-presidente da Auren Energia, Fabio Zanfelice, avaliou durante teleconferência com analistas nesta quinta-feira, 06 de agosto, que o cenário para o segundo semestre de 2026 apresenta variáveis já conhecidas pelo mercado, mas mantém incertezas sobre o comportamento das chuvas no Sudeste, especialmente nos meses de novembro e dezembro.
Quando questionado sobre as perspectivas para os preços de energia, Zanfelice confirmou que o consenso de mercado sobre os efeitos do El Niño está em linha com a visão da companhia. No entanto, ele destacou que parte desses efeitos já está refletida nos modelos que calculam o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD).
Temperatura e carga já precificadas
Segundo o executivo, o aumento de temperatura, característica marcante do El Niño, já está parcialmente incorporado nas projeções de carga do Operador Nacional do Sistema (ONS). “A projeção do ONS de alguma forma já carrega uma parte desse efeito temperatura, o que seria neutro para a carga um pouco maior em relação ao preço”, explicou Zanfelice.
Ele ressaltou que a carga frustrou em 2% as projeções do ONS no segundo trimestre, indicando que os modelos podem estar superestimando ligeiramente a demanda.
Eólica no Nordeste deve melhorar
Como ponto positivo para o segundo semestre, Zanfelice apontou que o recurso eólico no Nordeste deve voltar a patamares melhores. Assim, reverte o cenário adverso observado no segundo trimestre de 2026, quando a geração eólica da Auren ficou 9,9% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
Já a principal variável de incerteza, segundo o executivo, está concentrada no comportamento das chuvas no Sudeste. A região é estratégica para os reservatórios do sistema elétrico brasileiro. “O Sudeste é incerto. O que a gente sabe é que em alguns anos choveu muito, outros anos pouco, mas são chuvas torrenciais que não têm as formações daquelas dos canais clássicos de chuva”, afirmou.
Zanfelice explicou que, diferentemente das Zonas de Convergência do Atlântico Sul, que formam canais organizados de precipitação, as chuvas durante o El Niño no Sudeste tendem a ser mais desorganizadas e imprevisíveis.
As projeções atuais indicam que setembro deve apresentar chuvas acima da média, enquanto outubro ficaria dentro da normalidade. “A incógnita fica em relação a novembro e dezembro. Se existe alguma variável hoje sob dúvida ou que nós precisamos realmente refinar, é o que ocorre nos meses de novembro e dezembro em relação às chuvas”, concluiu o executivo.
Curtailment
A Auren espera que a discussão sobre o curtailment futuro no setor elétrico seja retomada em 2027. Segundo Zanfelice, a legislação atual já endereçou o passado e o curtailment de confiabilidade, mas o curtailment energético ainda precisa ser debatido pelos parlamentares. “Esse é um tema que talvez, e com certeza, vai voltar a se discutir em 2027”, afirmou.
Quanto ao ressarcimento dos valores provisionados, a Auren demonstrou interesse em participar do Termo de Compromisso, mas a decisão definitiva ainda depende de aprovação. Os desembolsos e compensações devem começar a partir do segundo trimestre de 2027, estendendo-se ao longo do ano e podendo avançar para 2028.
Reorganização societária
Sobre a reorganização societária em andamento, o CFO da companhia, Mateus Ferreira, disse a iniciativa traz múltiplos benefícios para a companhia. Isso incluindo melhor gestão do endividamento e do caixa, além da simplificação da estrutura com a eliminação de duas companhias de capital aberto.
No entanto, a Auren optou por não divulgar guidance específico sobre a redução de custos decorrente dessa reestruturação. A reorganização já gerou custos de R$ 16,9 milhões no segundo trimestre de 2026, refletidos nas despesas financeiras do período. A expectativa é que os ganhos fiscais e operacionais dessa mudança estrutural comecem a se materializar gradualmente nos próximos trimestres.
Fonte: CanalEnergia.
