CMSE reforça segurança hídrica e abastecimento para enfrentar o El Niño
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) reforçou, na quarta-feira, 5 de agosto, as medidas preventivas para garantir a segurança do fornecimento de energia diante da possibilidade de intensificação do El Niño no segundo semestre. Segundo informações apresentadas ao colegiado, há uma probabilidade de 70% de ocorrência do fenômeno com intensidade ainda maior no período.
Entre as ações estão o acompanhamento intensivo das condições hidrometeorológicas, a redução das defluências para preservar as cabeceiras dos reservatórios e a continuidade do Plano de Recuperação dos Reservatórios de Regularização do País.
O governo também mantém articulação com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para acompanhar e induzir a adoção de medidas preventivas pelas empresas de geração, transmissão e distribuição.
O CMSE participa ainda de grupos interinstitucionais sobre o El Niño, que envolvem órgãos como a Casa Civil e a Defesa Civil, e mantém uma sala de monitoramento do abastecimento de combustíveis para os sistemas de geração da região Norte.
As medidas se somam às anunciadas na reunião extraordinária de julho, quando o comitê aprovou a antecipação do início de suprimento de contratos de cinco termelétricas vencedoras de leilões passados, que entrariam em vigência em 2027.
COMBUSTÍVEIS NA REGIÃO NORTE
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apresentou ao comitê o acompanhamento das condições de navegabilidade, dos estoques de combustíveis, da logística de distribuição e da execução dos planos de contingência elaborados pelas empresas.
O monitoramento busca garantir o abastecimento dos sistemas de geração da região Norte, que podem ser afetados por dificuldades de navegação e transporte durante períodos de redução dos níveis dos rios.
As medidas preventivas incluem a formação antecipada de estoques, a utilização de embarcações de diferentes portes, operações de transbordo e a articulação entre empresas e órgãos públicos.
Segundo o documento, as ações têm o objetivo de preservar a regularidade do abastecimento de combustíveis e reduzir os riscos ao fornecimento de energia elétrica nos sistemas isolados da região.
OPERAÇÃO DO SIN
Na reunião, foram apresentados pelo ONS os dados da operação do sistema em julho, quando as chuvas ficaram acima da média mensal nas bacias dos rios Jacuí, Uruguai, Iguaçu e Paranapanema e na bacia incremental à hidrelétrica de Itaipu. Nas demais bacias hidrográficas relevantes para o Sistema Interligado Nacional (SIN), a precipitação ficou abaixo da média.
A Energia Natural Afluente (ENA), que representa a energia que pode ser produzida a partir das vazões que chegam às hidrelétricas, ficou abaixo da média histórica nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Norte.
O indicador alcançou 94% da Média de Longo Termo (MLT) no Sudeste/Centro-Oeste, 62% no Nordeste e 64% no Norte. No Sul, a ENA chegou a 260% da média histórica. Considerando todo o SIN, o resultado foi equivalente a 128% da MLT.
Para as duas semanas seguintes à reunião, a previsão apresentada pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indica maiores volumes de chuva nas bacias da região Sul e pouca precipitação nas demais áreas.
Para o final de agosto e o início de setembro, a projeção aponta a continuidade de chuvas acima da média no Sul, com possibilidade de alcançar áreas da bacia do Paraná, principalmente em Mato Grosso do Sul, São Paulo e no sul de Minas Gerais.
Os reservatórios do SIN encerraram julho com aproximadamente 70% da capacidade máxima. O armazenamento chegou a 63% no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, 84% no Sul, 84% no Nordeste e 90% no Norte.
Para agosto, o cenário superior apresentado ao CMSE prevê ENA equivalente a 114% da média histórica no SIN e armazenamento de 65,9% ao final do mês.
Fonte: MegaWhat.
