Após sofrer com descolamento de preços Tradener busca mediação com clientes
A Tradener, primeira comercializadora de energia do país, com quase 30 anos de atuação, está convocando credores para procedimentos de mediação numa câmara de arbitragem, agendada para 10 de abril.
Segundo fontes do mercado de energia ouvidas pela MegaWhat, a situação financeira da companhia teria sido afetada pela exposição da PCH Rondinha, localizada em Passos Maia, Santa Catarina, no mercado de curto prazo. A usina teria firmado contratos de venda no Sudeste, enquanto sua posição física e o risco associado ao ativo estavam no Sul.
Com a abertura de um spread entre os preços dos dois submercados, e o PLD do Sul acima do Sudeste, refletindo a crise hídrica da região, o descasamento entre a posição contratual e o submercado de referência da usina ampliou as perdas da Tradener.
A empresa não comentou a informação, nem respondeu quantas contrapartes foram chamadas para mediação ou se busca acordos para haircut ou distratos contratuais.
Convite para mediação
A história veio à tona depois que um convite para reunião virtual foi encaminhado, por equívoco, a mais de 700 contrapartes na noite de segunda-feira, 30 de março, pela Câmara Brasileira e Transnacional de Conciliação e das Mediações Antecedentes ou Incidentais aos Processos de Recuperação Judicial, apurou a MegaWhat.
Depois disso, os credores da empresa, ou seja, contrapartes que têm a receber no futuro, começaram a se movimentar e consultar advogados.
Em nota, o CEO da Tradener, Guilherme Avila, afirmou que a comercializadora tem lastro contratual integral para os volumes de energia elétrica que comercializa.
A empresa confirmou que iniciou, “de forma voluntária e preventiva”, um processo de mediação com clientes com objetivo de “adequar a forma de entrega de energia ao perfil de compra da companhia, tornando-as compatíveis entre si”.
A nota foi publicada depois que a Agência Infra publicou que a Tradener enfrentaria uma grave crise financeira causada pela alta exposição no mercado de curto prazo. Segundo a reportagem, a comercializadora estaria exposta em cerca de 200 MW médios, o que tem pressionado seu fluxo de caixa.
Na nota, a empresa disse que “o dado de 200 MW médios de exposição no mercado de curto prazo é incorreto” e que “todos os fornecedores da Tradener seguem atendidos integralmente e sem qualquer alteração contratual”.
Tradener: primeira comercializadora do Brasil
Fundada por Walfrido Avila em 1998, no Paraná, a Tradener foi a primeira comercializadora de energia do país. Diferentemente de outras empresas em crise, sua atuação não é focada no trading direcional, mas também na intermediação de negócios, representação e gestão de agentes, importação e exportação de energia, além de ter sua própria carteira de geração.
Além da PCH Rondinha, de 9,6 MW, detém três PCHs em Goiás – PCH Tamboril, de 15,8 MW; PCH Gameleira, de 14 MW; e PCH São Bartolomeu, de 12 MW -, e três eólicas – Taíba, de 5 MW, no Ceará; Pindaí, de 80 MW, na Bahia; e Mangue Seco 2, de 26 MW, no Rio Grande do Norte.
Fonte: MegaWhat
