CMSE mantém CVaR 15/40 para operação do sistema a partir de 2027
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) decidiu nesta quarta-feira, 10 de junho, manter o parâmetro de aversão ao risco CVaR em 15/40 para uso nos modelos de operação e formação de preços do setor elétrico a partir de janeiro de 2027, apurou a MegaWhat.
A decisão mantém o critério atualmente em vigor desde janeiro de 2025. O tema vinha sendo discutido pelo setor em meio à pressão de agentes que defendiam a adoção do par 15/30, considerado menos avesso ao risco e associado a menor despacho térmico preventivo.
O CVaR, sigla em inglês para Conditional Value at Risk, é o parâmetro que indica o grau de aversão ao risco considerado nos modelos computacionais usados para definir a operação do sistema elétrico. Na prática, ele influencia o quanto o modelo deve se proteger contra cenários hidrológicos mais adversos, o que pode levar a maior ou menor despacho de usinas térmicas para preservar os reservatórios das hidrelétricas.
No CVaR, o primeiro número indica o conjunto de cenários hidrológicos mais críticos considerado pelo modelo. No caso do 15, são avaliados os 15% piores cenários de afluência simulados. O segundo número indica o peso dado a esses cenários na decisão de operação. Assim, no critério 15/40, os 15% piores cenários recebem peso de 40%.
A calibragem do CVaR tem impacto sobre o Custo Marginal de Operação (CMO) e sobre o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), referência do mercado de curto prazo. Um modelo mais avesso ao risco tende a antecipar o despacho de térmicas para preservar reservatórios, o que pode elevar custos de operação e preços. Um modelo menos avesso ao risco tende a reduzir esse despacho preventivo, mas aumenta a exposição do sistema a cenários hidrológicos mais desfavoráveis.
A discussão passou por consulta externa no Comitê Técnico PMO/PLD, encerrada em abril, com posições divergentes entre os agentes do setor. De um lado, agentes favoráveis à manutenção do 15/40 argumentaram que a redução da aversão ao risco poderia diminuir custos no curto prazo, mas elevar o risco de despacho corretivo no futuro, com impactos sobre encargos e sobre a segurança da operação. De outro, agentes que defenderam o 15/30 sustentaram que o critério preservaria a segurança energética com menor custo para o consumidor.
O tema ganhou peso adicional por causa do contexto de preços elevados e de maior tensão no mercado de energia. A decisão do CMSE ocorre após a realização dos Leilões de Reserva de Capacidade de março, que contrataram cerca de 20 GW em potência. Na reunião de maio, o comitê havia adiado a definição do CVaR e pedido estudos adicionais sobre os efeitos dessa contratação na operação do sistema.
Fonte: MegaWhat.
