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Boven não paga MCP, avisa clientes e pode virar 1ª varejista desligada

Após não conseguir pagar os valores devidos no mercado de curto prazo de energia no início deste mês, a Boven Comercializadora Varejista de Energia comunicou aos clientes que não conseguirá manter o fornecimento de energia a partir de abril. A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) deliberou, nesta terça-feira, 17 de março, sobre o procedimento de monitoramento que poderá levar ao desligamento da comercializadora.

Dados da CCEE mostram que a Boven deixou de liquidar R$ 1,23 milhão no mercado de curto prazo (MCP) de janeiro, na liquidação concluída no início de março, e passou a integrar a lista de agentes inadimplentes da câmara.

Apesar do cenário, a MegaWhat apurou que não houve pedido de recuperação judicial nem liminar suspendendo obrigações.

A reportagem procurou a CCEE e a Boven, mas não obteve retorno até a publicação da matéria. O espaço permanece aberto.

Carta aos clientes da Boven

Em carta enviada aos clientes, a Boven afirmou que não conseguirá manter o fornecimento de energia a partir de 1º de abril e orientou os consumidores a migrarem para outro fornecedor no mercado livre ou retornarem ao mercado cativo até 14 de abril.

A empresa atribui a crise a um cenário de forte instabilidade e restrição de liquidez desde 2024. Entre os fatores, cita a redução na oferta de energia por grandes geradoras (Axia Energia, Engie Brasil Energia e Copel), que teriam restringido vendas para comercializadoras.

Segundo a companhia, isso dificultou a estruturação de contratos com lastro e aumentou a exposição ao Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que permaneceu elevado nos últimos meses.

A Boven afirmou ainda que realizou aportes e tentou renegociar posições ao longo de 2025, mas não conseguiu comprar energia suficiente para honrar seus contratos.

“Soma-se a isso mudanças relevantes no modelo de precificação do mercado, amplamente debatidas entre os agentes, que contribuíram para a manutenção de preços em níveis significativamente elevados”, disse a empresa em carta.

Inadimplência em cadeia

Conforme apuração da MegaWhat, a deterioração financeira da Boven está diretamente ligada à quebra de outras comercializadoras, que deixaram créditos em aberto.

Entre os casos estariam Gold Energia e o grupo Elétron, que entrou com pedido de recuperação judicial em janeiro, com dívida de R$ 1,17 bilhão, incluindo R$ 334,8 milhões junto à CCEE.

Com a recuperação judicial das empresas, a Boven teria ficado exposta a essas contrapartes, acumulando valores relevantes a receber sem garantia. Sem esses contratos e com a alta recente dos preços de energia, o cenário evoluiu para uma “tempestade perfeita”.

Situação semelhante a 2021 na Boven

A Boven Comercializadora passou por situação semelhante em 2021, quando comercializadoras como Argon, Brasil, Linkx e Vega não honraram contratos firmados em meio à pior crise hídrica do histórico e a preços altos de energia.

A Linkx Comercializadora de Energia reportou um total de dívida de R$ 139,862 milhões, no âmbito do pedido de recuperação judicial da empresa, no qual, das cinco comercializadoras com as maiores dívidas, a Boven tinha R$ 17,4 milhões a receber.

A empresa ainda figurou na lista da Argon, com R$ 11,7 milhões, e da Brasil Comercializadora, que alegou um prejuízo de R$ 18,4 milhões se tivesse que registrar seu contrato com a Boven.

Fonte: MegaWhat