Com risco de El Niño forte, MME solicita medidas preventivas para agentes
O Ministério de Minas e Energia (MME) solicitou à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que acompanhe e estimule a adoção de medidas preventivas pelos agentes de geração, transmissão e distribuição de energia diante dos possíveis impactos do fenômeno El Niño no período de 2026/2027.
O pedido, assinado por João Daniel Cascalho, secretário de Energia Elétrica da pasta, foi formalizado em ofício encaminhado nesta segunda-feira, 1º de junho, e tem como base uma nota técnica do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), que avalia a evolução do fenômeno climático associado ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.
Nesta terça-feira, 2 de junho, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) informou que há 80% de probabilidade de ocorrência de um evento El Niño entre junho e agosto de 2026. Segundo a entidade, as chances de o fenômeno persistir até pelo menos novembro são próximas ou superiores a 90%. Embora ainda exista incertezas em relação à intensidade e ao momento de seu pico, a maioria dos modelos de previsão indica que o El Niño deverá atingir intensidade ao menos moderada, com possibilidade de se tornar forte.
“Precisamos nos preparar para um possível evento El Niño forte, que exacerbará a seca e as chuvas intensas e aumentará o risco de ondas de calor tanto em terra quanto no oceano. O El Niño mais recente, em 2023-24, foi um dos cinco mais fortes já registrados e desempenhou um papel importante nas temperaturas globais recordes que vimos em 2024”, disse a secretária-geral da OMN, Celeste Saulo.
Análise do Cemaden
Segundo o ofício do MME, novas simulações realizadas por centros climáticos da Europa, dos Estados Unidos e da Austrália apontam para uma trajetória de alto impacto, com algumas projeções indicando a possibilidade de ocorrência de um evento de “mais forte da história moderna, potencialmente superando o evento recorde de 1877/1878”.
No entanto, o Cemaden ressalta que essas previsões ainda possuem baixa confiabilidade no longo prazo.
“Ainda não se sabe ao certo se os ventos e outros fatores climáticos irão intensificar ou atenuar o calor oceânico, diminuindo, assim, a probabilidade de um El Niño forte. Os meteorologistas deverão ter mais informações nos próximos meses, após superarem a notória barreira da previsibilidade da primavera”, disse o Cemadem em trecho destacado pela pasta.
A nota técnica destaca que, caso o cenário atual se confirme, os impactos mais relevantes poderão ocorrer a partir da primavera e do verão de 2026/2027.
O documento também aponta potenciais efeitos sobre setores estratégicos da infraestrutura hídrica e energética da região Norte, especialmente em bacias associadas às usinas hidrelétricas dos rios Xingu, Madeira e Tocantins-Araguaia, em função da possível redução das vazões afluentes aos reservatórios.
Em relação às temperaturas, o Cemaden alerta que um cenário de El Niño moderado a intenso, combinado à tendência de aquecimento global, poderá intensificar a ocorrência de ondas de calor em 2026 e 2027. O órgão destaca ainda que períodos mais prolongados de seca na Amazônia e no Pantanal podem aumentar o risco de incêndios nessas regiões.
Apesar das projeções, a nota técnica ressalta que ainda há incertezas sobre a evolução do fenômeno e que previsões de secas severas na Amazônia e no Nordeste ou de chuvas catastróficas no Sul não são atualmente sustentadas por dados científicos confiáveis.
Diante desse cenário, o MME pediu que a Aneel monitore e incentive ações preventivas e de gestão, incluindo a elaboração de planos de ação pelos agentes do setor elétrico.
Fonte: MegaWhat
