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Safira obtém proteção contra credores em ação de R$ 370 milhões

A Safira Energia obteve na Justiça uma tutela cautelar que suspende por 60 dias execuções e cobranças contra quatro empresas do grupo, em meio a uma crise econômico-financeira que a companhia atribui principalmente à volatilidade dos preços de energia, à redução da liquidez do mercado e ao aumento dos custos para recomposição de posições contratuais. O valor atribuído à causa é de R$ 370,4 milhões.

A decisão é da 2ª Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e beneficia Safira Administração e Comercialização de Energia, Safira Artemis Comercialização de Energia, Safira Trading e Geração de Energia e Safira Varejo Comercialização de Energia.

No pedido, as empresas do grupo afirmam atravessar uma crise econômico-financeira momentânea. Além da iliquidez e da volatilidade dos preços, a companhia cita alterações nos parâmetros regulatórios de precificação e o encarecimento do crédito entre os fatores que comprometeram o fluxo de caixa do grupo.
As demonstrações financeiras apresentadas à Justiça mostram que as quatro empresas passaram de resultados positivos para prejuízo líquido entre 2024 e 2025. No período, o saldo conjunto de caixa e equivalentes de caixa caiu de aproximadamente R$ 27,5 milhões para R$ 14,2 milhões.

A relação de credores apresentada no processo aponta débitos de R$ 357,48 milhões. Para o juiz Luis Felipe Ferrari Bedendi, os documentos dão suporte contábil à crise de liquidez relatada pelas empresas.

A Justiça também identificou quatro títulos da Safira Administração protestados pelo Banco Daycoval entre junho e agosto de 2026, por falta de pagamento, que somam aproximadamente R$ 667,6 mil. Segundo a decisão, o quadro indica que a deterioração do crédito já resultou em atos formais de cobrança e pode se estender aos demais credores, comprometendo a negociação em andamento.

A proteção judicial busca abrir espaço para que a Safira negocie com seus credores antes de uma eventual recuperação extrajudicial ou judicial. O grupo iniciou procedimento de mediação perante a Med Arb RB em 25 de agosto.

Em documento ao qual a reportagem teve acesso, a Safira afirma que a volatilidade dos preços, a redução da liquidez do mercado e o aumento dos custos para recomposição de posições contratuais produziram margens negativas e comprometeram a liquidez das empresas. Segundo o documento, as companhias permanecem em funcionamento e desenvolvendo atividades economicamente viáveis.

A mediação busca reestruturar obrigações, preservar contratos considerados essenciais e assegurar a continuidade das atividades durante as negociações. A reunião de pré-mediação está marcada para 10 de setembro.

Decisão judicial da Safira
A tutela suspende as execuções contra as quatro empresas, a exigibilidade dos créditos relacionados na ação e novas medidas de constrição sobre o patrimônio. Bens ou valores que já tenham sido bloqueados, porém, permanecerão retidos à disposição dos respectivos juízos.

Ao término da liminar, a Safira deverá apresentar o pedido principal, que poderá ser de homologação de plano de recuperação extrajudicial ou de recuperação judicial. Caso isso não ocorra, a proteção perde eficácia.

A Justiça também rejeitou o pedido para que o processo tramitasse em segredo de justiça. O magistrado entendeu que a possibilidade de exposição das empresas a medidas de cobrança não é suficiente para afastar a publicidade dos atos processuais.

A MegaWhat acompanha a situação da Safira desde o ano passado, quando teve acesso a comunicações com contrapartes sobre a redução de montantes contratados. Desde então, a reportagem tem procurado a companhia, mas a empresa retornava dizendo que não havia nada a declarar. O espaço permanece aberto.

A Safira está entre as comercializadoras mais antigas do mercado livre. No seu site, reforça o início das operações em 2008, em frentes relacionadas à geração, gestão, inteligência de mercado, comercialização e consultoria em energia elétrica.

Fonte: MegaWhat.